Não só vinho, mas nele o olvido, deito/Not only wine, but oblivion, herein I pour

Watercolours

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“Não só o vinho, mas nele o olvido, deito”, 2018
24,8 × 24,9cm
Aguarela e Guache com Caneta e Tinta Sépia sobre desenho preliminar a Grafite sobre papel de Aguarela.

Ilustração submetida ao concurso do 11º Encontro Nacional de Ilustração de S.João da Madeira.  O tema do certame foi o “Trabalho”. Nesta imagem, ilustra-se o poema homónimo de Ricardo Reis, tendo como protagonistas as jovens vindimadeiras do Douro, transmutadas nas tágides camonianas. Paralelamente, estabelece-se uma intertextualidade com as fábulas de Esopo (A Raposa e as Uvas), e a poesia de Hesíodo (Non semper erit Aestas, Não será sempre Verão, “As Obras e os Dias”, linha 503) que partilham um sentido de idílio, de ataraxia e de vanitas com as odes de Reis.

“Não só vinho, mas nele o olvido, deito

Na taça: serei ledo, porque a dita

        É ignara. Quem, lembrando

        Ou prevendo, sorrira?

Dos brutos, não a vida, senão a alma,

Consigamos, pensando; recolhidos

        No impalpável destino

        Que não espera nem lembra.

Com mão mortal elevo à mortal boca

Em frágil taça o passageiro vinho,

        Baços os olhos feitos

        Para deixar de ver.”

 

“Not only wine, but oblivion, herein I pour”, 2018
24,8 × 24,9cm (9,7 × 9,8in)
Watercolour and Gouache with Pen and Brown Ink over Graphite pencil underdrawing on Watercolour paper.

Illustration submitted to the illustration contest of the Eleventh National Illustration Summit of S.João da Madeira. The theme of the contest was “Work”. In this image, an illustration of a poem by Ricardo Reis which also takes its incipit as its title, the young peasant women who work at the vineyards of the Douro river valley are transmutated into the nymphs of Camões. At the same time, the illustration creates a dialog with the fables of Aesop (The Fox and the Sour Grapes) and with the poetry of Hesiod (None semper erit Aestas, It will not always be Summer – “Works and Days”, line 503) which share together with the odes of Ricardo Reis a sense of idyll, of ataraxia and of vanitas.

“Not only wine, but oblivion, herein I pour

In the cup: I shall be merry, for this very one

        Is ignorant. Whosoever, reminiscing

        Or foreseeing, smileth?

Of brutes, let us not the life, but rather the soul,

obtain, thinking; sheltered

       In unfathomable fateNo impalpável destino

        That does not expect nor remember.

With mortal hand I raise to the mortal mouth

In fragile cup the ephemeral wine,

        With glassy eyes done

        To cease seeing.”

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Ilustrador, Designer Gráfico e Artista de BD português. Vive e trabalha no Porto. Illustrator, Graphic Designer and Comics Artist. Lives and works in Porto, Portugal.